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sábado, 19 de dezembro de 2015

A Síndrome de Al Capone



Olavo de Cravalho - Jamais esqueci a cena do filme “O Massacre de Chicago” (St. Valentine’s Day Massacre, 1967) em que Al Capone, representado por Jason Robards, esmigalha com um taco de beisebol a cabeça de um companheiro traidor.

Robards, ator impecável, transmite com precisão a ambigüidade do ódio vingativo que se adorna de uma encenação histérica de indignação moral ao ponto de confundir-se com ela.

É um quadro bem conhecido, banal até, nos anais da psicanálise e da psiquiatria forense: a consciência moral do assassino, sufocada e manietada no fundo do inconsciente, vem à tona em forma invertida e se transmuta em inculpação exagerada e teatral dos seus desafetos.

Quanto mais crimes hediondos o sujeito carrega no seu currículo de horrores, mais eloquente e persuasiva a sua afetação de dignidade ofendida.

Mil vezes descrito nos tratados médicos, o fenômeno, no entanto, continua desconhecido da maior parte dos analistas políticos, que não o enxergam nem mesmo quando ele fornece a explicação cabal e óbvia da conduta de certos grupos, facções e partidos.

O critério para reconhecê-lo é simples e infalível: quando o discurso de inculpação moral hiperbólica provém de alguém que cometeu crimes piores do que aqueles que aparentemente o indignam, você está diante do episódio de St. Valentine’s Day Massacre reencenado.

E aí duas séries de fatos paralelos, ambas abundantemente comprovadas, não têm como deixar de por à mostra a conexão íntima que as liga no fundo mais tenebroso da consciência histérica:

(1) Quem são os campeões absolutos na produção de discursos de indignação moral no mundo? Os comunistas.

(2) Quem são os campeões absolutos na prática do genocídio, da tortura, das prisões em massa, do assassinato de inimigos políticos, da escravização de populações inteiras? Também os comunistas.

Há nisso, é claro, um elemento de premeditação manipulatória: “Xingue-s do que você é, acuse-os do que você faz.” Mas isso é só na cabeça dos mandantes supremos, dos engenheiros sociais pavlovianos, dos próceres da KGB, da Stasi ou da DGI.

Nas almas dos militantes,  o que veio de cima como truque publicitário se converte em reação emocional espontânea, num modo de ser e de sentir habitual e automático, sem premeditação alguma: cada um deles sente que esmigalhar as cabeças dos adversários é uma obrigação moral sublime, uma graça santificante.

Se o adversário vê nisso algum mal, é a prova definitiva de que ele é um fascista sanguinário e, portanto, mais um motivo justo para lhe esmigalhar a cabeça.

A naturalidade quase ingênua com que essa gente se sente ofendidíssima com meras opiniões e reage mediante apelos ao assassinato político seria inexplicável sem a “síndrome de Al Capone”. A desproporção entre estímulo e resposta revela que, além do estímulo aparente, está em jogo uma motivação suplementar oculta.

Essa motivação é um mecanismo circular: Nada sufoca mais eficazmente o clamor da consciência moral do que sua imitação histérica invertida --alimentada, por sua vez, pelo próprio clamor sufocado que lateja no fundo do inconsciente.

Toda semana aparecem novos exemplos. Desta vez foi a chuva de ameaças de morte a Donald Trump porque quer vetar a entrada de muçulmanos no país até que sejam investigados e liberados.

A proposta do candidato tem ampla base constitucional reforçada por vasta jurisprudência da Suprema Côrte, mas a massa esquerdista indignada não aceita sequer discuti-la: quer suprimi-la matando o seu autor.

A “sindrome de Al Capone” deitou raízes tão fundas nas almas dos militantes esquerdistas, que até aqueles que jamais cometeram crime algum estão sempre em guarda contra a mera possibilidade de tomar consciência dos horrores praticados por seus correligionários, defendendo-se dessa perspectiva temível mediante o mesmo reflexo de inculpação projetiva hiperbólica.

Mesmo o mais inocente e bocó dentre os idiotas úteis do petismo ferve de indignação cívica contra o deputado Eduardo Cunha, como se os delitos menores e não provados que a este se atribuem fossem a causa da desgraça nacional, muito acima do Petrolão, do Mensalão e do rombo das contas públicas.

Sentindo-se acusado por tabela, arma-se de um taco de beisebol verbal e sonha em rachar cabeças como se fosse uma miniatura de Al Capone.


Publicado no Diário do Comércio.

"Gays de direita"? Sim! Gays de direita!

"Não queremos destruir uma sociedade da qual fazemos parte."

Ao contrário do que maquinam e dissipam as mentes doentias dos intelectuais orgânicos, e a histérica militância da esquerda brasileira, nós, cidadãos de orientação política dita "de direita", não queremos a dizimação ou a criminalização de homossexuais. Nós, conservadores, orientamo-nos por valores que consideramos os mais acertados para a manutenção da saúde deste gigantesco paciente em estado Crítico chamado "Civilização Ocidental".

Acusam-nos, e isto injustamente,de homofóbicos, racistas, nazistas, intolerantes, dentre outras alcunhas semelhantes, pelo simples fato de lutarmos contra a ideologização do nosso pensamento e contra a doutrinação marxista em todos os meios de disseminação de cultura, bem como seus frutos diretos e indiretos. 

Dentre estes frutos diretos, está a utilização dos homossexuais - assim como fazem com os negros, índios e pobres - como o "novo proletariado"; aquele que deve travar uma "luta de classes" cujo intuito é derrubar a ordem constituinte da sociedade, para destes escombros, fazer emergir uma "nova ordem". O mais triste, é que a grande maioria dos homossexuais deixam-se usar por esta raça de facínoras, sem que se dêem conta que servem apenas como instrumento descartável para um projeto de poder. Descartáveis, pois em outros países, onde o comunismo foi implantado, como Cuba, homossexuais foram mortos à granel, en el paredón!

Mas com a graça de Deus, há alguns com os olhos abertos, e conscientes desta estratégia. São os "Gays de direita". Um grupo de homossexuais, que têm a  consciência de que podem ser muito mais do que agentes de destruição dos pilares da civilização ocidental, como o querem os ideólogos de esquerda. Sim, pode-se ser conservador e homossexual! Eles sabem que a sua condição sexual, não interfere, nem os desabona, para lutarem para  a manutenção das bases que sustentam nossa civilização. Nossa luta, enquanto conservadores, é contra a ditadura da IDEOLOGIA gay, o material que estimula a homossexualização das crianças de ensino primário nas escolas, mais conhecido como "Kit Gay", e a utilização dos homossexuais, cidadãos como quaiquer outros, como o "novo proletariado". Apenas isso. 

Eis o blog deste grupo http://gaysdedireita.blogspot.com.br/, e abaixo, a primeira mensagem do grupo, em 2009, que bem serve como apresentação do mesmo.

"Nossa primeira mensagem!

Este é um grupo de gays conservadores que acreditam poder oferecer ao mundo algo muito melhor que a simples baderna sexual.

Em função da influência da esquerda que domina os debates homossexuais, o mundo ainda não deixou de ver o gay como algo bizarro e muito perigoso. Isso porque a militância gay, em geral, está focada em projetos para beneficio da esquerda, e não dos gays. Ao nos utilizar como ferramenta de combate à moralidade, afirmam erroneamente que combater a homofobia é o mesmo que combater o capitalismo. Colocam-se na vanguarda da luta pela liberdade e democracia, discursando falsamente pela tolerância, para concluir o seu projeto de dominar a esfera política. Ao tentar desmoralizar a sociedade, confundem-na com uma série de leis inúteis e contraditórias, além de projetos sociais sem resultados positivos e gastos públicos desnecessários, ou quando muito, apenas nutrem uma extensa rede corrupta de apoiadores desses partidos. Nesse contexto há de se entender porque muitas pessoas se sentem inclinadas a não respeitar homossexuais.

Governos de esquerda que existiram pelo mundo mataram centenas de homossexuais ao longo de sua história, numa forma tão sem precedentes, que seria inviável fazer uma comparação com qualquer outra coisa. Como quadrilhas criminosas, se apoderaram da gestão pública, para juntar grandes somas de dinheiro e um estilo de vida cheio de conforto.

As estatísticas ridículas de morte de gays no Brasil, comparada à de países onde a discriminação é muito mais cruel, comprovam em absoluto que não existe perseguição sexual no Brasil. Abusos existem, claro, como em toda sociedade, mas isso não desqualifica o Brasil como um dos países mais liberais do mundo.

Assim, pretendemos oferecer ao homossexual uma visão diferente para seu papel na sociedade. É sempre difícil as pessoas entenderem porque queremos nos aproximar da família, visto que o histórico do preconceito de muitos homossexuais começa dentro de casa. Mas também existe muita ansiedade desnecessária na adolescência do gay, pois a maioria dos pais acaba aceitando-os. A verdade é que com um pouco de compreensão e tempo, muitas famílias acabam aceitando os filhos têm.

Porém, lamentavelmente, esses esquerdistas utilizam essa ansiedade para arregimentar membros sob a falsa necessidade de termos que “confrontar” a sociedade, mas não temos. Não temos que dar as costas a Deus e ignorar nossas religiões e mudar quem somos. Não temos que obedecer a essas pessoas! Podemos impedir que a homossexualidade seja utilizada como ferramenta desumana, insuportável e odiosa. Não queremos destruir uma sociedade da qual fazemos parte."

Para não perder o costume... Bolsonaro Presidente!





Íntegra da palestra “Princesa Isabel: exemplo excelso de amor ao Brasil, na dimensão fé e política”

O Blog Monarquia Já disponibiliza exclusivamente, na íntegra, a palestra proferida pelo Prof. Hermes Rodrigues Nery, Coordenador do Movimento Legislação e Vida, no III Simpósio Conservador de Belo Horizonte (MG), em 7 de agosto de 2015.



Caríssimos amigos,

Professor Hermes Nery |  Com alegria, retorno a Belo Horizonte, ao qual agradeço pelo convite em participar deste III Simpósio Conservador, ao que parabenizo mais uma vez pela iniciativa, tendo em vista a importância de momentos como este, de aprofundamento, de intercâmbio de ideias e experiências, no sentido de nos ajudar a encontrar melhores meio de atuação, num contexto político atual, de deterioração moral em todos campos, em que as instituições estão capituladas, urge portanto retomar o sentido do civismo em nosso País, capaz de fazer revigorar nossas bases morais. Só assim conseguiremos superar a crise da representatividade e da legitimidade, para um governo sadio. Daí também a crise de liderança, da confiança em quem exerce funções diretivas, especialmente na gestão pública.

O problema todo que está na raiz desta debacle moral, e as suas terríveis consequências de desarranjo e instabilidade generalizada, é justamente porque “já não há um ambiente geral cristão”1, e sabemos que o cristianismo é, em todos os períodos da História, a força propulsora dos princípios e valores morais que dão solidez aos empreendimentos efetivamente comprometidos com o bem comum e a dignidade da pessoa humana. O fato é que “nos primeiros séculos de nossa era, o mundo não era cristão, chegou a sê-lo; hoje não o é. A diferença é que antes ainda não o era e hoje já não o é, e esta diferença é muito importante”2, por isso o agravamento em nível global da corrosão política, por faltar justamente aquilo que só o cristianismo pode oferecer. E para que possamos saber o que fazer em meio a crise em que vivemos, também no campo político, é preciso voltar a compreender o que é ser cristão, “para que o que é cristão possa voltar a ser compreendido”3.

A distinção entre César e Cristo, foi dada claramente pelo próprio Cristo, e mesmo a Igreja não tendo modelos políticos a propor, traz em sua doutrina moral e social, diretrizes imprescindíveis que inspiraram grandes lideranças (como Santa Joana d’Arc) e fizeram inclusive governantes santos, a exemplo de São Luís e São Thomas More, referências até hoje, no cristianismo, da verdadeira dimensão fé e política.

Foi justamente esta dimensão que contribuiu para o esplendor civilizacional, com a “conexão desta vida com a outra”4, dimensão sempre pontifícia [da ponte com a realidade sobrenatural, que é a origem e a destinação final de todos], pois o próprio Jesus disse a Pilatos: “O meu reino não ´deste mundo”5, mas começa aqui, na provisoriedade, o que será vivido plenamente na vida eterna. Imbuído dessa convicção, os governantes santos foram capazes de vigências morais a dar sentido [direção] à vida humana, para o essencial, e também porque não agiram com a tentação de “transformar em pão as pedras do deserto”6, deixando “Deus de lado”7, [é a tentação de hoje com a ideologização da fé], mas sabendo do maná do Senhor, e de Suas Leis, para que a política esteja também purificada de tais tentações, e as decisões dos governantes estejam mais em consonância com a verdade e o bem. Como destaca Bento XVI, “ordenar, construir o mundo de um modo autônomo, sem Deus”8 é o grande equívoco a tirar da política a sua base moral, vulnerabilizando com isso, pessoas e sociedades à ilusões, violências e infelicidades incontáveis.  “Onde Deus é excluído, a lei da organização criminal toma seu lugar, não importa se de forma descarada ou sutil”9. É o que estamos vendo hoje, inclusive em nosso País, e em toda a América Latina, quando grupos de poder, inteiramente amorais e imorais, aparelharam as instituições (e inclusive setores da Igreja) e tomam decisões, agindo com volúpia e abusos de poder, buscando impor uma ideologia irrealista que favoreça apenas tais grupos de poder e não a sociedade em geral. “Há uma ideologia que, no fundo, reduz tudo o que existe a um comportamento de poder. E essa ideologia destrói a humanidade e também e a Igreja10”. E a ideologização da fé traz também essa corrosão, e setores da Igreja instrumentalizados por tais grupos de poder acabam sendo coniventes com isso, alguns conscientes outros inconscientemente, mas quando se duvida da verdade sobre o primado de Deus na História, da Sua soberania, então tal ideologia subverte os valores e compromete a verdadeira dimensão fé e política. Por causa disso, hoje, a fé cristã “está ameaçada em toda a parte”11, fé e política ameaçadas por tais ideologias e estruturas do mal. Isso porque, aqueles que deveriam mais zelar pela causa de Deus, ao aderir a tais tentações, com pactos faustianos, intensificam assim as forças adversas ao cristianismo, forças do mal, pois “o mal tem poder através da liberdade do homem e cria então as suas estruturas. Porque existem, manifestamente, estruturas do mal”12. Daí a verdadeira dimensão fé e política estar sempre situada no contexto de um combate entre a cultura da vida e a cultura da morte. E os governantes santos, luminares da história, decidiram não fraquejar neste combate, e a exemplo de São Miguel Arcanjo, o primeiro combatente pela causa de Deus, souberam sofrer as dores inevitáveis para fazer valer os princípios e valores cristãos, também no campo político, para espelhar a bondade, a magnanimidade e a misericórdia de Deus, e mostrar ao mundo que somente Cristo é o Senhor e Salvador, somente com Ele é possível vencer o mal, somente Ele abrirá as portas do Céu.

Os governantes santos buscaram evitar portanto que a política fosse usada para a prática da iniquidade.  Assim agiu José do Egito, e tantos ao longo da História.

No Brasil, tivemos a Princesa Isabel, uma governante cristã e santa, que amou o País, talvez mais do que qualquer outra liderança política em nossa História, e sofreu por isso o mais longo exílio impingido a uma autoridade pública, e morreu sem poder ter voltado ao Brasil que tanto amou. Um exemplo de vida na dimensão fé e política, que teve claramente a visão do Brasil real em consonância com a sua profunda identidade católica, o Brasil que todos os que aqui vieram desde a chegada de Pedro Álvarez Cabral, e escreveram sobre o que viram [e também das mazelas que viram por aqui], mas atestaram, com vivo entusiasmo, a promissão deste País continental, “um país plural na raiz de seu ser histórico”13, nascido Terra de Santa Cruz, para dar ao mundo a contribuição civilizacional, na convergência de todas as culturas, inspirada no catolicismo “cimento da unidade nacional”14, que a Princesa Isabel, desde a infância, assumiu com ardor, a propulsionar a vocação e a missão do Brasil (que foi também a sua vocação e missão), como um país generoso, cujo “poderoso caldeamento”15, ainda hoje é esperança ao mundo, mas que somente com a seiva cristã vivificada será capaz de alcançar seu excelso destino promissor.

Como destaquei na primeira parte de um breve retrato biográfico da Princesa Isabel:

“…a orientação segura para o melhor desenvolvimento de sua personalidade, direcionando-a para a melhor realização como pessoa, foi sem dúvida, a influência cristã, cuja doutrina católica ela assimilou tão bem, e a viveu de um modo tão intenso e coerente, em todas as fases de sua vida… Isso porque sabemos que “‘o pensamento e a vida são inseparáveis’, do contrário não se é ‘possível compreender o que significa ‘católico’. Com esta convicção, a princesa Isabel buscou sempre afirmar a coerência de vida.”16

E ainda naquele breve retrato, ressaltei que a Princesa Isabel

“…demonstrou nos três períodos em que assumiu a Regência do País, o quanto amou o Brasil e direcionou sua ação em decisões que expressaram a sua convicção firmíssima na fé católica. E esta fé a preparou e a orientou para assumir a coerência de vida, em fidelidade à fé que a sustentou, e por causa disso perdeu o trono, vivendo a dor do mais longo exílio impingido a uma autoridade política brasileira. Até mesmo no infortúnio do ostracismo, distante da terra natal, ficou evidente “a devoção da princesa pelo Brasil e seu desejo de fazer o bem”. Seus inimigos e detratores, especialmente os republicanos de inspiração positivista e anticlerical, foram implacáveis em lançar sombras sobre a sua vida, patrulhando-a ideologicamente, silenciando sobre suas reconhecidas virtudes pessoais e cívicas, pois temiam o seu reinado por justamente ela ter comprovado ser uma governante cristã. Temiam mais ainda o seu retorno, porque ela tinha a afeição do povo, que a chamou em vida de “A Redentora”. Quando lhe propuseram recorrer às armas para retornar ao Brasil, ela recusou, pois “considerava o uso da força incompatível com o cristianismo”, do mesmo modo como agiu em relação ao movimento abolicionista, evitando a via da violência, para obter a libertação dos escravos. “Quando a política deixará de empregar meios que diminuem a grandeza moral dos povos e das pessoas? – Escreveu do exílio a João Alfredo Correia de Oliveira – É assim que tudo se perde e que nós nos perdemos. O senhor, porém, conhece meus sentimentos de católica e brasileira”. Lembrando D. Pedro II, que falecera num hotel em Paris, em 1891, destacou: “Meu Pai, com seu prestígio, teria provavelmente recusado a guerra civil como meio de tornar a voltar à pátria… lamento tudo quanto possa armar irmãos contra irmãos…”, pois ela “antes de tudo pensava nos mutilados, nas viúvas e nos órfãos”. Podemos dizer da menina carioca, nascida no Paço de São Cristovão, que um dia ascenderia ao trono brasileiro para reger com um coração cristão, o mesmo que Antonio Vieira expressara de Santa Isabel de Portugal, a quem o nome da nossa princesa faz evocação: “Isabel não só foi filha de rei (…) mas que filha! que mulher! que mãe!”17

E ainda naquele breve retrato biográfico, prossegui:

“No ditado em português, do caderno da Princesa D. Isabel, nº 12, ela exorta como os homens devem estampar a sua vida na história: como “uma alma pura, patriota e caridosa”, e exclama: “Como é belo passar-se à posteridade com a reputação de São Luiz, de Felipe Camarão!” Vidas exemplares marcadas por “pureza, patriotismo e caridade”. Tais valores não foram mencionados como um exercício meramente retórico, mas almejados por sua vida inteira, mesmo depois de ter perdido o trono, por justamente ser fiel a tais valores. Destaca também sua admiração por Henrique Dias “um dos grandes heróis do Brasil. Era preto e sua valentia não era menor do que a dos primeiros generais do seu tempo. Achou-se muitas vezes com Felipe Camarão e defendeu o Brasil contra a invasão holandesa. Assistiu à segunda batalha dos Guararapes, ficando ferido. El-rei de Portugal quis recompensá-lo e deu-lhe um hábito de Cristo”. De modo muito especial estava São Luís em suas devoções. Para ela, “Luís é um desses cristãos para quem a Paixão de Jesus é um acontecimento sempre contemporâneo e que deve fazer parte da ação no presente, e não somente no qual se busque um passado santo”. Vida de intensa espiritualidade, leigo cristão, pai de família, rei cruzado e legislador, eis um modelo que empolga a princesa Isabel, desde criança. “São Luís de França, o Rei Luís IX (1214-1270), participou de duas cruzadas ao Oriente, era responsável por inúmeras fundações religiosas, conventos e hospitais. Destacou-se por sua devoção cristã e práticas caridosas destinadas aos doentes, pobres, cegos e indigentes. Sua conduta, segundo relatos da época, era orientada por uma profunda admiração pela Igreja e por seus ministros. Apesar da distância cronológica que separa o rei medieval do índio setecentista (Felipe Camarão), ambos destacaram-se na luta contra os infiéis, favorecendo a expansão cristã católica, associados a um projeto político. Como almas puras, patriotas e caridosas, mereciam respeito e admiração da Princesa. D. Isabel parecia associar o patriotismo ao reconhecimento cristão”. Ainda no mesmo caderno de ditado em português, escreveu a Princesa: “A caridade é uma grande virtude. Deus nos diz no primeiro mandamento: ‘Amai a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti mesmo’. Quantos exemplos de caridade nos deu Jesus Cristo em sua vida. Deixai os meninos vir a mim, disse ele um dia quando os discípulos despediam umas crianças (…) como não considerar esta virtude uma das primeiras? Ela deve sobretudo existir nos soberanos para serem considerados como pais de seus súditos. São Luís, rei de França, Santa Isabel de Portugal e Santo Estevão da Hungria são excelentes exemplos desta virtude”.18

Lembrava ainda em meu breve retrato biográfico:

“Sob o pulso forte da Condessa de Barral, foi possível uma educação “para que a formação espiritual da princesa correspondesse às suas responsabilidades sociais”.67 E muito cedo despertou-lhe também o apreço pela poesia, de sã influência. Nas poucas horas de lazer, havia tempo para as meninas recitarem versos como estes, do Visconde de Pedra Branca, pai da Condessa de Barral: “Poe na virtude Filha querida, De tua vida Todo o primor. Não dês á sorte, Que tanto ilude, Sem a virtude Algum valor”.19

E mais:

“A fé católica impregnou em sua alma jovem, com um tal enraizamento como a semente lançada em terreno muito receptivo. Os seus sentimentos, pensamentos e visão de mundo solidificaram-se de modo inteiramente cristão. “O incentivo vinha certamente da mãe”93, de fé madura, “marcado por uma tradição napolitana (…) de apoio irrestrito ao papa”.94 A princesa Isabel, assim como São Luís, sentiam-se membros “de um corpo, a Cristandade, que tinha duas cabeças, o Papa e o Imperador”.95 O poder espiritual dando diretriz ao poder temporal, sustentando-o com seus princípios e valores, tendo em vista “as riquezas de salvação”96, e não apenas prosperidade material, pois seus escritos de infância e adolescência, comprovam a sua convicção de que “a história não pode ser regulada longe de Deus por estruturas simplesmente materiais”97, pois “se o coração do homem não for bom, então nada pode tornar-se bom”.98 Com isso, teve “uma visão alegre da vida”99, da alegria que vinha do espírito das bemaventuranças, experimentando desde cedo, de modo privilegiado, o quanto foi querida e amada pelos pais. Viveu assim a expressão concreta de um Deus exigente, como fora com Abraão, Jacó e Moisés. Uma alegria sadia, purificadora e santificadora, manifestada de forma a encantar a tantos a sua volta, com quem irradia uma esperança de vida, mesmo em meio às dores e sombras inevitáveis. “Diante de uma sociedade cada vez mais secular, marcada por inúmeros problemas sociais e disputas político-partidárias, D. Isabel imaginava que uma sociedade melhor seria alcançada por meio da re-adoção de valores cristãos católicos”. Tais valores lhe deram segurança efetiva em meio à secularização crescente, com forças anticristãs que emergiam do Iluminismo e ganhavam força depois da Revolução Francesa. Tronos eram derrubados por esta força hostil à Igreja, principalmente na Europa, mas “as escolhas e apostas da Princesa”101 fizeram-na adotar uma “política do coração”, afirmada na convicção de que somente os valores cristãos lhe dariam “os suportes que julgava suficientemente estáveis”.20

Imbuída desses sentimentos e dessa convicção, é que ela assumiu, ainda jovem, o maior desafio enquanto governante do Brasil, nos três períodos de Regência, ao ter de encontrar uma resposta ao principal desafio política do seu tempo, o de promover a abolição dos escravos, sem derramamento de sangue, adotando assim a solução católica àquela grave questão.

Na primeira palestra que proferi, logo após sugerir ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, a abertura do processo de beatificação da Princesa, Isabel, assim expus:

“As decisões que a Princesa Isabel tomou como regente, tornaram evidente que reconheceu antes de mais nada, o primado de Deus. Em seu tempo, surgiram e se intensificaram forças ideológicas contrárias à doutrina social cristã (cabe lembrar que o Manifesto Comunista é de 1848). E que ela perdeu o trono justamente no enfrentamento destas forças espirituais (cujas tensões ficaram evidentes no próprio movimento abolicionista, e que tal movimento só foi bem sucedido porque teve na Princesa Isabel a firmeza de fazer valer a fé católica no processo. E por isso é que foi possível evitar derramamento de sangue, e conter os ímpetos dos que queriam que se repetisse no Brasil as violências ocorridas, por exemplo, no Haiti e nos Estados Unidos.  Foi o catolicismo defendido pela Princesa Isabel,  que permitiu o êxito do maior movimento social da história deste país, e com um resultado jubilante. Tudo isso porque prevaleceu no processo o primado de Deus, que ela tão bem expressou em suas ações decisivas. No exílio, ela pôde melhor compreender o alcance do significado do mistério da fé na história.”21

E expliquei naquela conferência:

“Há muito o que descobrir da relevante atuação da princesa Isabel no movimento abolicionista, muito mais do que apenas ter assinado as Leis do Ventre Livre (1871) e a Lei Áurea (1888). Não tivesse ela assumido a regência e dado o tom tanto na gestão quanto na metodologia de trabalho e o movimento teria tido um rumo mais drástico e explosivo. Foi o componente católico que ela imprimiu e que a voz vigorosa de Joaquim Nabuco expressou, entre outras, que ressoou e influiu significativamente, não somente entre os proprietários rurais resistentes à abolição, mas principalmente entre os negros devotos organizados nas irmandades religiosas, especialmente a de Nossa Senhora do Rosário. Os antropólogos ficam admirados de ver como as irmandades católicas, de origem dos tempos medievais e instituídas tanto em Portugal quanto na África foram um elo de ligação entre os negros que queriam a sua libertação, mas sem o apelo à violência. As irmandades católicas, portanto foram decisivas para que o movimento abolicionista fosse bem sucedido, pois teve à frente uma governante mulher e cristã, que tão bem entendeu a alma do povo brasileiro.    Conta Didier Lahon que “na viragem do séc. XV para o XVI, alguns escravos negros já eram membros da confraria do Rosário de Lisboa. Essa opção pela Virgem do Rosário advinha de que ‘ a devoção ao Rosário, e a confraria que lhe estava confiada, pregava assim, como ainda hoje, o mais amplo ecumenismo social e racial, tentando derrubar, no seio da comunidade espiritual dos irmãos, as barreiras que os separavam na vida cotidiana’.

Foi o papa Pio V quem instituiu em 1573 a festa de Nossa Senhora do Rosário da Vitória para celebrar o êxito dos cristãos na Batalha de Lepanto. Desde então a devoção do rosário cresceu até os dias de hoje exercendo uma força misteriosa nos destinos dos países cristãos, especialmente na luta contra as forças hostis à Cristandade. Ainda hoje para nós católicos, é significativa a assinatura da Lei Áurea no dia 13 de maio, quase trinta anos antes, no mesmo dia, da aparição de Nossa Senhora de Fátima, oferecendo o rosário como arma contra os inimigos da Igreja.

‘Segundo o Papa Pio V a vitória teria se dado graças à interseção da Virgem, em resposta aos Rosários a ela oferecidos, e Gregório XIII, seu sucessor, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário, reforçando o Rosário como arma da vitória’.

A devoção ao rosário – sempre extremamente popular – foi muito difundida e aceita pelos escravos no Brasil, e foi esta devoção que exerceu grande influência – através da atuação das irmandades católicas – no movimento abolicionista. Isso é o que estão descobrindo os antropólogos e acadêmicos da atualidade.

John Thorton chamou atenção no meio acadêmico da ‘importância do catolicismo na África Centro-ocidental nos séculos XVI, XVII e XVIII”21 e “o lugar nada desprezível do catolicismo na relação que os africanos e afrodescendentes brasileiros mantinham com as terras de seus antepassados.’ Marina de Mello e Souza, a partir de pistas indicadas por Thorton, afirma que ‘no Brasil em algumas ocasiões o catolicismo, por estar presente na região do antigo reino do Congo desde o final do século XV, serviu de ligação com um passado africano que era importante elemento na composição das novas identidades das comunidades afrodescendentes no contexto da diáspora.’

E também os estudiosos perceberam entre os escravos no Brasil, duas formas de expressão religiosa que estarão manifestas no modo como atuaram no movimento abolicionista. Esta distinção resultará em duas opções de resistência: a do negro revoltoso e fugido, aquilombado, que se insurge contra o sistema escravista, pela via da violência. A outra opção foi a assumida pelas irmandades católicas, que agregou também em quilombos muitos negros devotos do rosário: a do negro alforriado, organizado para prestar auxílio aos demais, sem violência, agindo pela via institucional. Estas duas distinções têm relação as duas formas de expressão religiosa existentes durante a escravidão: ‘No primeiro caso estão os calundus, nos quais ritos eram realizados em torno de altares que abrigavam objetos mágico-religiosos, havendo a oferenda de sangue de animais, bebida e comida, ao som de tambores e com a possessão de algumas pessoas por entidades sobrenaturais. No segundo caso estão os cortejos e danças que acompanhavam a coroação de um rei negro pelo padre, por ocasião de festas em torno dos santos padroeiros de irmandades nas quais a comunidade negra se agrupava. Enquanto os primeiros eram no geral seriamente perseguidos, assim como os quilombos e as tentativas de rebelião, os segundos eram quase sempre aceitos e muitas vezes estimulados, uma vez que eram vistos como formas de integração do negro na sociedade colonial escravista.’ Foi em meio a este contexto que se deu a mobilização popular pela abolição, cujo papel das irmandades religiosas católicas foi decisivo para que o processo culminasse com a Lei Áurea. A Princesa Isabel percebeu, desde o início, tais tensões, e juntamente com outras lideranças, atuou para que o gradualismo não se estendesse demais, para não acirrar os conflitos (tanto dos proprietários rurais quanto dos escravos aquilombados que fugiam e partiam para a resistência com violência).

No entrechoque das posições assumidas pelos grupos atuantes, prevaleceu a solução católica, não imposta pelo governo nem por eclesiásticos, mas aceita naturalmente (e aí a importância do dado antropológico) por aqueles que sofriam a tragédia da escravidão e queriam se libertar da opressão, para serem aceitos como pessoas e não mercadoria, e não serem discriminados socialmente. Esse aspecto foi fundamental para preservar até hoje em grande parcela da população negra do País, uma devoção especial à Princesa Isabel, uma veneração imbuída de um profundo sentimento de gratidão, e é desta parcela significativa que vieram os primeiros testemunhos de sua fama de santidade, ainda em vida.”23 

Meus amigos! Eu poderia me estender aqui elencando tantos fatos vividos que comprovam as excelsas virtudes daquela que governou santamente este País e cujo reinado foi abortado pelos republicanos, quando ela tinha apenas 43 anos, e com quase por fazer.

E mais:

“Poucos meses antes, tendo vivido a sua entrada radiante em Jerusalém, com o glorioso 13 de maio, sentiu no exílio, as dores do Getsemani, e a partir de então, se associou ainda mais aos sofrimentos de Jesus, rei dos reis, despojado de sua majestade, escarnecido e humilhado, até a morte de cruz. No exílio, foi entendendo mais intensamente, as consequências da adesão àquele que é o verdadeiro Mestre, pois ‘o seguimento é expressão de conversão permanente a Jesus Cristo’. E na medida em que os anos no exílio foram lhe mostrando que talvez nunca mais voltasse mesmo a  ver o Brasil, continuou perseverante e se dedicando muito aos brasileiros, pois na sua vivência católica, de amor sempre universal, deu o testemunho de que ‘seguir é viver, amar, crescer em fidelidade, comprometer-se na construção do reino e solidarizar-se na justiça e na amizade’.

A princesa Isabel, pela sua formação e determinação, pelas suas opções e decisões, pelo modo como suportou as perdas e dores e da maneira como afirmou a fé, teve o sentido de Deus, numa época em que já se sentia poderosas correntes culturais e políticas decretando a morte de Deus no mundo, ela viveu e fez o que fez movida pela direção de Deus, que ‘compreende e dinamiza a pessoa inteira com toda a sua força e sua relação essencial’, pois, a história mostra de modo claríssimo de que ‘quem possui o sentido de Deus possui ao mesmo tempo o sentido da vida e do ser humano. Assim unem-se em síntese a escuta e a prontidão para a resposta existencial’.

Como Samuel, a princesa Isabel ainda muito jovem já havia expressado em seu coração aquele feliz ‘Eis-me aqui Senhor!’”24

Que hoje nós possamos, com o seu exemplo santificador, reencontrar lideranças cristãs, entre nós, na dimensão fé e política, novamente com [esse testemunho de amor pelo Brasil, no momento difícil e desafiante em que vivemos agora. Que ela possa interceder por lideranças política santas, para que haja o governo sadio que tanto precisamos, para que assim o Brasil alcance seu destino promissor.

Que Nossa Senhora Aparecida, rogue por nós, pelo bem do Brasil!

Muito obrigado!

NOTAS:


  1. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 209, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  2. MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 55, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
  3. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 185, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  4. MARÍAS, Julián, Problemas do Cristianismo, p. 37, Editora Convívio, São Paulo, 1979.
  5. Jo 18, 36.
  6. RATZINGER/BENTOXVI, Jesus de Nazaré, V. 1, p. 43, Editora Planeta, São Paulo, 2007.
  7. Ib. p. 41
  8. Ibidem.
  9. RATZINGER, Joseph, citado em “Poder Global e Religião Universal”, de Mons. Juan Cláudio Sanahuja, p. 5, Editora Ecclesiae, 2012.
  10. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 133, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  11. verificar
  12. RATZINGER, Joseph, O Sal da Terra- O Cristianismo e a Igreja Católica o Limiar do Terceiro Milênio – Um Diálogo com Peter Seewald, p. 176, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1997.
  13. REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 60, Edições GRD, São Paulo, 2000.
  14. FREYRE, Gilberto, Casa Grande & Senzala, pp. 91-92, Global Editora, 49ª edição, São Paulo, 2004.
  15. REALE, Miguel, Variações, 2ª edição ampliada, p. 63, Edições GRD, São Paulo, 2000.
  16. http://pt.scribd.com/doc/112183606/Breve-Retrato-Biografico-da-Princasa-Isabel-por-Hermes-Rodrigues-Nery
  17. Ibidem.
  18. Ibidem.
  19. Ibidem.
  20. Ibidem.
  21. 21.http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.br/2011/12/catolicidade-da-princesa-isabel.html
  22. Ibidem.
  23. Ibidem.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Maria, modelo de devoção eucarística


Trecho do Livro “ La Madre del Redentor y nuestra vida interior”- PP.145-146
Padre Reginald Garrigou Lagrange, editora Cultor de Livros
Tradução: Diogo Pitta

"Convém insistir particularmente sobre o que devia ser para a Mãe de Deus o Sacrifício da Missa e a sagrada Comunhão que recebia das mãos de São João.

Por que foi confiada por Nosso Senhor no Calvário à São João ao invés de sê-la às Santas Mulheres que estavam ao pé da Cruz? Porque João era sacerdote e tinha um tesouro que podia comunicar a Maria, o tesouro da Eucaristia.

Porque, dentre todos os apóstolos se escolheu a são João antes de São Pedro? Porque João é o único dos apóstolos que está ao pé da Cruz, para onde foi atraído por uma Graça fortíssima e dulcíssima, e porque ele é, disse Santo Agostinho, o  modelo de vida contemplativa, da vida íntima e oculta, que foi sempre a de Maria Santíssima, e continuará sendo até a sua morte. A vida de Maria não terá o mesmo caráter que a do Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, e nunca intervirá no governo dos  fiéis. Sua missão será contemplar e amar Nosso Senhor presente na Eucaristia, obter por suas incessantes súplicas, a difusão da Fé e a Salvação das almas. Deste modo, Maria será verdadeiramente na terra como o Coração da Igreja nascente, pois ninguém participará como Ela da intimidade e da força do Amor de Cristo.

Sigamo-la nesta vida oculta, sobretudo no momento em que São João em que São João celebrava diante d’Ela o santo Sacrifício da Missa. Maria não possui o caráter sacerdotal, não pode exercer essa função, mas recebeu (...) a plenitude do espírito Sacerdotal, que é o espírito de Cristo Redentor, penetrando, deste modo, muito mais profundamente que São João no mistério de Nossos Altares. Seu título de Mãe de Deus sobrepõe-se ao sacerdócio dos ministros do Salvador; deu-nos o Sacerdote e a Vítima do sacrifício da Cruz e ofereceu-se com Ele.

A Santa Missa era para Ela, num grau que não podemos mensurar, o memorial e a continuação do Sacrifício da Cruz! No Calvário, o coração de Maria foi transpassado por uma espada de dor; a força e a ternura de seu amor por seu Filho fizeram-lhe padecer um verdadeiro martírio. O sofrimento foi tão profundo que a sua recordação não pode perder sua veemência, sendo mantido por uma luz infusa.

Agora bem, sobre o altar, quando São João celebra, Maria encontra novamente a mesma Vítima que na Cruz. É o mesmo Jesus, que está realmente presente; não é somente uma imagem, é a realidade substancial do Corpo do Salvador, com sua Alma e Divindade. Não existe, certamente, imolação cruenta, mas imolação Sacramental, que realiza-se pela consagração do Corpo e do Preciosíssimo Sangue; o sangue de Jesus derrama-se sacramentalmente sobre o altar. E esta imagem da morte de Cristo é das mais expressivas para Aquela que não pode esquecer, que tem sempre no fundo de sua alma a imagem de seu Queridíssimo Filho maltratado, coberto de chagas, para Aquela que todavia ouve as injúrias e as blafêmias.


Esta Missa celebrada por São João e a que assiste Maria Santíssima, é a reprodução mais impressionante do Sacrifício da Cruz perpetuado em substância sobre o altar."

LAGRANGE, Reginald Garrigou, "La Madre del Redentor y nuestra vita interior", pp. 145-146, ed. cultor de livros

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Ad Iesum per Mariam



Hoje completam-se exatos três anos desde que optei, usufruindo do meu livre arbítrio, impulsionado pelo amor, fazer-me escravo de Nosso Senhor Jesus Cristo através da Santíssima Virgem Maria, ou se preferirem - assim como eu prefiro - simplesmente "Escravo de Maria".

No dia 08 de Dezembro de 2012, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, renovava as promessas do meu batismo, dando-me por inteiro - corpo e alma - à Santíssima Virgem, como o único intuito de que Ela moldasse-me à imagem e semelhança de Nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Filho. Certamente que não há magica nisso. Mágicas tem por objetivo entorpecer e enganar a percepção, e isto poupar-me-ia muitos sofrimentos. O caminho é mais árduo. Costumo dizer que quando nos consagramos, não ficamos melhores do que os outros católicos; apenas temos a plena noção do quão vis e asquerosos nós somos, quando comparados à Majestade Divina e à Beleza e Santidade imensurável da Santíssima Virgem. Perdi-me nas contas de quantas vezes caí em pecado mortal; dos veniais então, nem ouso tentar contá-los! Mas em todas estas quedas vertiginosas, havia sempre ali a misericórdia infinita e superabundante de Deus, que através do Sacramento da Penitência, resgatava-me cinematograficamente  do fundo dos meus pecados, punha-me a cabeça erguida e mostrava-me amorosamente o árduo caminho que ainda me restava e sussurrava-me com voz grave ao ouvido: " Não tenhais medo!" 

Hoje, providencialmente, juntamente com a solenidade da Imaculada Conceição, inicia-se o Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Santo Padre. Nada mais propício para os que hoje, no Brasil inteiro, acorrentam-se à Nossa Senhora, para mais perfeitamente acorrentarem-se a Nosso Senhor Jesus Cristo! Muitos, alguns por ignorância, e outros por perfídia deliberada, travam guerras contra as cadeias que trazemos - não obrigatoriamente - atadas nos pulsos como sinal exterior de uma profunda devoção interior. Entendo perfeitamente a aversão que alguns ouvidos podem desenvolver com a expressão "Santa Escravidão", pois vivemos num país machucado com o flagelo da escravidão negreira. Mas a proposta de Nosso Senhor, propugnada por São Luís Maria Grignion de Monfort, e vivida intensamente por miríades de Santos, é que almejemos o Tudo, sendo um absoluto nada! Se quisermos ganhar o Céu, temos que ser imitadores de Jesus, isto é fato! Fato também, é que temos de imitá-lo em absolutamente tudo! Se Jesus fazia Jejum, nós o devemos fazer; se bradava contra o pecado, nos o devemos fazer; se consolava os aflitos e aliviava o fardo dos doentes, nós também o devemos fazer; se sofria calado os piores tormentos, nós o devemos fazer; se morria na Cruz, nós também o devemos fazer, no sentido de mortificarmos nossa própria vontade, e também no sentido de oferecermos nossos sofrimentos cotidianos à Deus, pelas mãos Santas da Virgem Maria, pela conversão dos pecadores, pela perseverança dos justos e pelo alívio das Almas do Purgatório. Mas Jesus fez-se também escravo! Fez-se escravo por amor,para a Salvação daqueles aos quais Ele quis imolar-se no madeiro da Cruz! Ele, a Sabedoria Encarnada, a Majestade Infinita, o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, aprisionou-se num envólucro de carne - santíssimo, diga-se de passagem! - e ali permitiu-se passar por todas as fazes de uma gestação, logo Ele, que criou o mundo em 7 dias, permitiu-se e limitou-se numa geração ditada pelas funções fisiológicas de uma Mulher. 

Permitiu-se e fez-se limitado à condição humana e suas fraquezas - exceto no pecado! Sentiu fome, sentiu tristezas, chorou, sentiu cansaço e padeceu dores atrozes e imensuráveis; Ele, o Deus Todo poderoso. Isto nos diz a Carta de São Paulo aos Filipenses: " Sendo Ele de condição Divina, não se prevaleceu de sua Igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens." (Fl 2, 6-7).

 Eis aí uma verdade sobre a Santa Escravidão de Amor:  a ela se adere por amor! Por amor, rompemos os grilhões que atavam-nos a Satanás, e nos acorrentamos a Jesus Cristo. Como uma criança que num vendaval, por medo de ser arrastada pelo vento forte para destinos incertos agarra-se às pernas de seu pai, sua única segurança, nós, por medo de sermos arrastados para o Inferno, atamo-nos a Cristo. Mas para fazermos isto de modo mais perfeito, o fazemos nos atando à Virgem Maria, Mãe de Jesus! 

Nossa Senhora, por não ser inflamada por vontades que não sejam as de Jesus, e por ser Ela Imaculada e livre de toda e qualquer mancha de pecado; e por conhecer Jesus mais intimamente do que todos os Místicos que existiram, existem e virão a existir, é o meio mais perfeito para nos atarmos intimamente com Jesus!  Portanto, fazendo-nos escravos de Nossa Senhora, mais perfeitamente estaremos nos fazendo escravos de Jesus. Diz São Luís Maria Grignion de Monfort: "Se a Verdadeira devoção à Virgem Maria nos afastasse de Jesus, nós a deveríamos rechaçar como uma armadilha do Diabo!" . A Verdadeira devoção á Virgem Maria é cristocênctrica, ou seja, ele tem Jesus como centro!

Que neste Ano Santo da Misericórdia, Nosso Senhor possa cumular-nos das graças necessárias para vivermos dignamente esta devoção, e para quantas vezes nós caírmos, levantarmo-nos mais fortes e mais confiantes em Deus!



Ad Iesum per Mariam!
Totus Tuus ego sum, et omnia mea tua sunt!
Salve a Virgem Imaculada!

domingo, 15 de novembro de 2015

Suspeito de atentado em Paris havia passado pela Grécia, diz ministro

CORREIO BRASILIENSE - 14/11/2015Um dos suspeitos de ter participado da onda de atentados contra Paris na noite de sexta-feira (13/11) - cujo passaporte sírio foi encontrado perto do local do crime - entrou na União Europeia através da Grécia, de acordo com uma autoridade grega.

O suposto atirador teria entrado na Grécia em outubro, quando milhares de imigrantes chegaram no país, fugindo da guerra e da violência em países como a Síria e o Afeganistão, segundo Nikos Toskas, ministro adjunto da Defesa Civil grega.

"O detentor do passaporte passou pela ilha grega de Leros em 3 de outubro, onde ele foi identificado de acordo com as regras da União Europeia, disse Toskas. "Não sabemos se o passaporte foi verificado em outros países por onde ele provavelmente passou", completou.

Toskas ainda afirmou que as autoridades continuaram "o meticuloso esforço para garantir a segurança do país e da Europa em circunstâncias difíceis, insistindo na identificação completa dos que chegam".

Oficiais gregos já haviam alertado para os riscos de membros do Estado Islâmico terem entrado na Europa por entre os refugiados. O ministro da Imigração da Grécia, Yiannis Mouzalas, disse recentemente que seria uma "tolice para qualquer um dizer que este não foi o caso".

Fonte: Dow Jones Newswires.


domingo, 8 de novembro de 2015

Não escolhi esperar

Tobias Kuklinski

Ao dizer que queremos viver a castidade, não é incomum ouvirmos "Aquele lance do 'Eu escolhi esperar', né?". Eu digo que não. Não "escolhi" esperar. O mundo escolheu não esperar. Quem fez a escolha foi o mundo. O esperar, a castidade é o normal, é para o que nascemos. Fomos criados para a santidade. A "escolha" aqui é não seguir essa vocação de todos.

Ora, todas as coisas corretas a serem feitas (desde não matar, não ser corupto, não roubar, até parar no sinal vermelho, devolver uma carteira achada no chão, etc) não são "a escolha", "a opção". Elas são a regra. Não podem ser consideradas a exceção. Assim é a vivência da castidade. E não é porque o mundo escolheu (destaque-se: o mundo sim, fez a escolha) jogar a sexualidade no lixo que quem vive a castidade se torna a "pessoa que fez sua opção".

Se o mundo repete muitas vezes uma mentira, nem por isso ela  se torna uma verdade. O mundo quer convencer as pessoas de que essa sexualidade desenfreada é o normal. Não é. Nós não somos a exceção, somos a regra.

Estupidez endêmica

A fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave.
Uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela.

Por Olavo de Carvalho


Algumas idéias espalham-se com grande sucesso não apesar de serem estúpidas, mas precisamente porque o são. A estupidez maciça exerce um poder anestésico e paralisante sobre a inteligência humana, detendo o seu movimento natural e fazendo-a girar em falso em torno de alguma crença idiota por anos, décadas ou séculos, incapaz de livrar-se do seu magnetismo perverso ou de pensar o que quer que seja fora do círculo de ferro da idiotice consagrada.

O exemplo mais assombroso é este:

É impossível descobrir ou traçar qualquer conexão lógica entre as liberdades civis e a estatização dos meios de produção. São esquemas não somente heterogêneos, mas antagônicos. Antagônicos lógica e materialmente. Qualquer garoto de ginásio pode compreender isso tão logo lhe expliquem o sentido dos dois conceitos. A candura com que tantos homens adultos falam em “socialismo com liberdade” – isto quando não chegam a acreditar que essas duas coisas são a mesma, ou que uma decorre da outra com a naturalidade com que as bananas nascem das bananeiras – é a prova inequívoca de uma deficiência intelectual alarmante, que desde há um século e meio se espalha sem cessar pelas classes cultas, semicultas e incultas com a força avassaladora de uma contaminação viral, sem dar sinais de arrefecer mesmo depois que a experiência histórica comprovou, de maneira universal e repetida, aquilo que poderia ser percebido antecipadamente por mera análise lógica e sem experiência histórica alguma.

A pergunta é simples e brutal: como é possível que a centralização do poder econômico, expandindo-o automaticamente sobre toda a sociedade e investindo-o da força suplementar do aparelho repressivo do Estado, venha a torná-lo menos opressivo e tirânico do que milhares de poderes econômicos parciais e limitados, espalhados como farelo, desprovidos do poder de polícia e em perpétua concorrência uns com os outros?

Ninguém deveria precisar de mais de alguns segundos para atinar com a resposta óbvia: Não, não pode. Nem se pode negar que os próprios clássicos do “socialismo científico” tenham ajudado a tornar essa resposta ainda mais patente, quando declararam alto e bom som que o que se seguiria ao capitalismo não seria uma democracia, de qualquer tipo que fosse, e sim a ditadura do proletariado. O que eles não explicaram jamais, nem nenhum de seus seguidores pediu jamais que o fizessem, foi como essa ditadura, uma vez vitoriosa e consolidada, poderia transmutar-se numa democracia exceto pelo método de liquidar-se a si mesma, dissolvendo o monopólio estatal e distribuindo o poder econômico entre os particulares – outra impossibilidade lógica ilustrada por uma longa e sangrenta experiência histórica que um pouco de inteligência tornaria perfeitamente dispensável.

Em suma, a fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave, que se espalha como praga e se arraiga no fundo dos cérebros por virtude da própria estupidez originária que a produz e determina.

Mas, como uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela, o sucesso propagandístico da idéia socialista trouxe consigo uma multidão de cretinices derivadas e secundárias, cujo poder de persuasão não se rende nem mesmo ante a evidência dos fatos mais constantes e repetidos.

Uma delas é a crença, hoje um dogma de evangelho, de que a educação universal obrigatória tem o poder de aplanar as diferenças socioeconômicas. Pois deveria ser lógico e intuitivo que, se a exigência de credenciais escolares se impõe até nas profissões mais simples e modestas, credenciais mais altas e difíceis de obter se espalharão de maneira concomitante e automática entre as profissões mais prestigiosas e rentáveis, deslocando para cima, sem alterá-lo, o quadro inteiro da estratificação social. O sociólogo Randall Collins, no clássico estudo The Credential Society. An Historical Sociology of Education and Stratification (New York, Academic Press, 1979), demonstrou que, exceto por um curto período durante o New Deal, foi exatamente isso o que se passou nos EUA: o reino das credenciais escolares não democratizou nada, apenas instituiu, nos andares mais altos da sociedade, a república das sinecuras milionárias, corrompendo de quebra o zé-povinho ao inocular na sua mente a ambição inalcançável da ociosidade bem remunerada. Mas, assim como toda idéia estúpida tem o condão de paralisar a intuição lógica, mais ainda ela debilita e por fim suprime a capacidade de aprender com a experiência histórica, que não é senão a longa e dolorosa demonstração indutiva daquilo que, para uma inteligência normal, já estava demonstrado antes por mera análise dos conceitos envolvidos.

Pouco importando o seu nível formal de instrução, pessoas contaminadas por essa paralisia endêmica das inteligências naufragam num oceano tão escuro e denso de erros de percepção e raciocínio que terminam incapazes de conhecer a sua própria posição na sociedade e os efeitos mais óbvios das suas próprias ações, mesmo e sobretudo quando receberam treinamento universitário em ciências sociais.
O exemplo mais óbvio é o dos sociólogos, economistas, juristas e cientistas políticos de esquerda, quando alardeiam que as universidades são o “aparato ideológico da burguesia”, construído para perpetuar a hegemonia cultural do capitalismo. Pois proclamam isso nas mesmas universidades estatais que eles próprios dominam sem a menor interferência da burguesia e nas quais toda objeção capitalista ao império do marxismo é punida com boicotes, chacotas e notas baixas, se não com o fim abrupto de uma carreira universitária. É óbvio que essas pessoas, literalmente, não sabem onde estão nem percebem o que fazem. Estão perdidas no espaço e no tempo -- o que não impede que o restante da população continue confiando nelas para que lhe expliquem como a sociedade funciona.

Publicado no Diário do Comércio.

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Por que o Islã assusta?

Esse fluxo, irrestrito e em proporções demográficas, ocorre num momento em que o fundamentalismo islâmico se afirma pelo terror e formula assustadoras ameaças ao Ocidente e seu futuro.


Imigrantes do mundo islâmico desembarcam na Europa em proporções demográficas dando causa a interpretações antagônicas. De um lado, a defesa dos deveres humanitários pondera, com razões, a terrível situação capaz de jogar ao mar multidões em fuga, para travessias que já causaram a morte de dezenas de milhares de pessoas. De outro, as contrariedades têm dois motivos principais: a) uma dúzia ou mais de grupos terroristas, jihadistas, sediados nos países islâmicos, infiltram-se no Ocidente movidos por obstinada determinação de o destruir e submeter seus "infiéis"; b) nenhum país tem condições de acolher grandes fluxos migratórios sem traumas à ordem interna.

Alegadamente, todos fogem de algum conflito. Ou de guerras internas do Islã, onde grupos combatem entre si, ou de ataques a comunidades cristãs por motivos políticos e religiosos. No entanto, a condição de refugiados sob perseguição ou tragédia nos países de origem não é verdadeira em todos os casos. Se assim fosse, seria maior o número de famílias completas e menor o número de jovens do sexo masculino adultos e solteiros. Em 16 de abril deste ano, o Estadão noticiou que imigrantes provenientes de Costa do Marfim, Senegal, Mali e Guiné Bissau haviam jogado ao mar 12 passageiros que seriam cristãos oriundos de Nigéria e Gana. Ao desembarcarem, remanescentes do grupo sacrificado denunciaram o crime e as autoridades de Palermo prenderam seus autores.

Fato isolado? Impossível. Impossível admitir que tenham sido presos em Palermo, nessa explosão migratória, os únicos representantes de um fundamentalismo que despreza o direito a vida dos "infiéis" e é tão ativo na região. Prospera em tais grupos um ódio ao Ocidente que os leva a atacá-lo por inúmeros modos. Dão continuidade a uma sequência de ações que atravessam os séculos de modo intermitente desde 711, quando Tarik derrotou o visigodo Roderico e invadiu a península Ibérica.

A imigração é um fenômeno corrente na história. O continente americano é inteiramente povoado por imigrantes. Em toda parte, os imigrantes das mais variadas origens buscam integrar-se às comunidades que os acolhem, submetem-se às suas leis e não intervêm nos seus costumes. Com a imigração muçulmana, por vezes, não é bem assim. De alguns anos para cá, de modo esparso, mas recorrente, valem-se da tolerância ocidental para impor sua intolerância. Exigem do Ocidente o que, nas respectivas regiões de origem, não é concedido aos ocidentais. Declaram-se insubmissos à autoridade política do país que os acolheu. Desfilam afirmando a prevalência da sharia. Por indiscerníveis razões, países igualmente islâmicos, abastados e pacíficos, aos quais poderiam chegar por terra firme, lhes recusam a acolhida incondicionalmente cobrada dos europeus.

Ademais, esse fluxo, irrestrito e em proporções demográficas, ocorre num momento em que o fundamentalismo islâmico se afirma pelo terror e formula assustadoras ameaças ao Ocidente e seu futuro. Derrubam aeronaves, explodem edifícios e estações, promovem execuções públicas e agem, no mundo, através de um número crescente de organizações terroristas. Generosidade é virtude; imprudência, não.

http://www.puggina.org

domingo, 27 de setembro de 2015

Concerto para Piano in D minor, de Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart compôs obras realmente impactantes e de fortes tonalidades, como o seu Réquiem in D minor , K 626. Hoje gostaria de compartilhar com o nobre leitor, outra obra magnificamente composta pelo nosso "tesouro de Salzburgo", Concerto para Piano, número 20, K466. Uma obra prima da música mozartiana, muito apreciada por dois luminares da Música Clássica: Ludwig Von Beethoven e Johannes Brahms. Orquestra Filarmônica de Berlim, sob a regência do também magnífico Daniel Baremboin. Espero que apreciem!


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Mourão", de Guerra-Peixe

A Música é uma das sete artes liberais, que juntamente com a Astronomia, geometria e aritimética, compõe o Quadrivium. As outras três, a título de informação, são a Gramática, a Retórica e a Dialética, que formam o Trivium

O grande - quiçá o único digno de ser citado - Medievalista brasileiro, Prof. Dr. Ricardo da Costa, num magnífico estudo dobre a Música e Erudição diz o seguinte: 
"Conseguirá o historiador do futuro explicar o nosso tempo sem a sonoridade que preenche nossas existências e que fez parte de nossa educação? Amplio as perguntas: é possível explicar alguma época sem tratar de sua música?" (1)
Desesperar-nos-íamos se ao fitarmos o recorte da realidade musical que nos cerca cá no Brasil, utilizássemos para termos uma vaga idéia da imagem cultural e intelectual que teriam de nós nossos herdeiros alguns séculos à frente, o Funk, o Pagode e afins. Fossem estes os únicos aspectos das realidades musicais dos quais tivessem notícias nossos sucessores nesta terra, a imagem que teriam de nós seria certamente a de uma sociedade que perdeu a noção de beleza e de sublimidade músical, e que rendeu-se à rítmica tribal, com ênfase nos impulsos mais primitivos e brutos.

Mas estes não são de fato o que há de melhor na cultura musical brasileira, e tampouco algo para ser lembrado como legado a ser recebido pelas gerações futuras. Quiçá, serão lembrados como a idade das trevas cultural tupiniquim. 

Brotaram em terras brasileiras, mesmo que a cultura eivada de marxismo e ideologia os tenha feito submergir no mar do esquecimento, muito bons escritores, bons atores, bons dramaturgos, bons músicos, e bons compositores. Um destes compositores é César Guerra-Peixe (1914 - 1993), carioca, natural de petrópolis, e grande compositor de Música erudita.

Guerra-Peixe possui uma lista de obras invejável e dentre estas está "Mourão"; uma verdadeira obra prima da melodia e do ritmo genuinamente brasileiro.

Espero que apreciem:


1 - http://www.ricardocosta.com/artigo/musica-e-erudicao-chaves-para-compreensao-historica#sthash.Di525A2b.dpuf

sábado, 12 de setembro de 2015



Papa sob ataque por Motu Proprio; Cardeal Kasper reafirma sua proposta.

Por Edward Petin – National Catholic Register | Tradução: FratresInUnum.com – Acabam de sair artigos relatando que um dossiê de 7 páginas, obtido pelo jornal alemão Die Zeit, está circulando na cúria romana, no qual altos oficiais do Vaticano expressam descontentamento com a recente mudança na lei da Igreja sobre nulidades [matrimoniais] e com uma falta de consulta acerca do assunto.

Na terça-feira, o Papa fez uma vasta reforma para tornar o processo de declaração de nulidade mais simples, rápido e barato.

Segundo Die Zeit, os oficiais juridicamente “dissecaram” o motu proprio (decreto) do Papa sobre a reforma do processo de nulidade, acusaram o Santo Padre de abandonar um importante dogma, e afirmaram que ele introduziu um “divórcio Católico” de facto.

Outras preocupações mencionadas no documento são de que, apesar da gravidade do tema, nenhum dicastério, inclusive, aparentemente, a Congregação para a Doutrina da Fé, bem como as conferências episcopais, foram consultadas sobre a decisão — uma alegação que o Register confirmou por várias fontes. O dossiê afirma que os canais legislativos de costumes foram “minados” assim como “nenhum dos passos previstos do procedimento legislativo foram seguidos”.

Críticos afirmam que isso se choca com o chamado do Papa por sinodalidade e colegialidade, e se parece com um “Führerprinzip” [ndt: “princípio da liderança” que constituiria a primeira lei do partido nazista; a partir de então, Hitler seria chamado de Führer] eclesial, ordenando de cima para baixo, por decreto e sem qualquer consulta ou análise.

Pelo contrário, a comissão papal que rascunhou o motu proprio foi ordenada a manter silêncio durante todo o processo, provavelmente para evitar que as reformas fossem prejudicadas pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) e outros na cúria. Mas a matéria também alega que a própria comissão não viu o rascunho final, e que um cardeal italiano, juntamente com outros dois purpurados, “furiosamente” tentaram evitar que o motu proprio fosse divulgado antes do sínodo, porém, sem sucesso.

O Register soube, por outras fontes, que essa decisão, bem como outras, estão efetivamente isolando a CDF e que o Papa está gradativamente tornando o trabalho da congregação supérfluo.

O artigo também dá voz à preocupação de que o motu proprio vai levar a uma enxurrada de nulidades e que, de agora em diante, casais poderão simplesmente deixar seu casamento católico sem qualquer dificuldade.

“Um número de monsenhores que têm oficialmente a incumbência de direcionar os assuntos da Igreja como um todo estão fora de si” e se sentiram obrigados a “falar”, segundo Die Zeit. Eles estão também preocupados com a linguagem “extremamente vaga” usada no motu proprio, especialmente as razões para um julgamento rápido, como a “falta de fé” ou outros motivos que não são claramente definidos.

Embora a necessidade de simplificar os processos de nulidade tenha obtidos dois terços do consenso no sínodo do ano passado, a matéria observa que os padres sinodais protestaram bastante contra a idéia de um processo rápido para determinar a nulidade de um casamento sob a supervisão do bispo local. Agora isso é uma lei da Igreja, mesmo antes do sínodo ter discutido a respeito.

Esperamos tratar sobre essas afirmações mais detalhadamente em um futuro próximo.

Neste ínterim, em uma nova entrevista, o Cardeal Walter Kasper voltou a lançar sua proposta de readmitir os católicos [recasados civilmente] à Sagrada Comunhão, afirmando estar “confiante” de que “um amplo consenso” pode ser encontrado.

Ele também disse, nessa entrevista concedida em 11 de setembro ao Vatican Insider, que é “necessário construir sabiamente” tal consenso sobre a proposta.

Os comentários do cardeal surgem poucos dias muitos sentirem que a reforma de Francisco nos processos de nulidade derrubou a proposta de Kasper, ao oferecer um compromisso a ambos os lados.

As observações de Kasper, todavia, mostram sua determinação de reafirmar sua proposta, que consiste em permitir divorciados civilmente recasados receberem a Sagrada Comunhão após um período penitencial. Ele também propõe que a readmissão pode ocorrer após “um juízo honesto da pessoa preocupada com sua própria situação pessoal” e ajuda de um confessor sacramental. O processo seria supervisionado pelo bispo local.

Amplamente apoiado pela hierarquia alemã, a proposta foi firmemente rejeitada por teólogos proeminantes e lideranças da Igreja como um grave abuso contra os sacramentos da Eucaristia, matrimônio e penitência. Ela também não obteve dois terços de maioria no último sínodo de outubro, embora o Papa insistiu em mantê-la na lista de proposições a serem discutidas no vindouro sínodo do próximo mês.

Os comentários do Cardeal Kasper aparecem enquanto crescem as tensões diante do Sínodo Ordinário sobre a Família em outubro. Ontem, foi divulgado que 50 teólogos preocupados apelaram ao Papa Francisco para defender os ensinamentos da Humanae Vitae (a encíclica do B. Paulo VI que proíbe a contracepção) e da Veritatis Splendor (encílica do Papa S. João Paulo II, de 1993, enfatizando o ensinamento moral da Igreja).

Os signatários, dentre os quais o padre jesuíta Kevin Flannery, professor de filosofia moral da Pontifícia Universidade Gregoriana, e o professor de filosofia Robert Spaemann, companheiro próximo do Papa Emérito Bento XVI, argumentam que um parágrafo específico do Instrumentum Laboris (documento de trabalho) do sínodo está gravemente equivocado, efetivamente esvaziando a Humanae Vitae de seu ensinamento central.